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Mostrando postagens de Julho, 2020

Tres Espiãs Reais: Josephine Baker, Lise de Baissac e Mata Hari

Amaryllis Fox, ex espiã da CIA, disse em entrevista recente que mulheres são as mais adequadas para o serviço secreto, por terem mais inteligência emocional, intuição e serem multitarefas. Me fez refletir sobre as mulheres que atuaram como agentes secretas em confrontos mundiais, marcando a história.

Josephine Baker foi uma grande vedete, tida como a primeira grande estrela negra das artes cênicas. Nascida em 1906, ela começou a cantar e dançar ainda na infância, profissionalizando-se. Como artista popular que era, Josephine transitava em importantes espaços sem levantar suspeita, atuando como espiã durante a Segunda Guerra Mundial.

A vedete colaborou para a Resistência Francesa, movimento que não aceitava a submissão do país ao poder nazista. Depois do confronto mundial, ganhou medalhas e recebeu o título de Cavaleiro da Legião da Honra, pelas mãos do então presidente Charles de Gaulle. 
Além de cantora, atriz e espiã, Josephine era militante pela emancipação dos negros e mãe de 12 cria…

"Dogão é Mau": O Gorillaz brasileiro

Em 1998, um quadrinista e um rockeiro se uniram para criar "Gorillaz", uma banda fictícia em desenho animado, mas com sonoridade muito real. A ideia dos britânicos foi um sucesso e inspirou projetos que mesclavam animação com música em todo mundo, até mesmo no Brasil.



O ano era 2004 e o produtor musical Rick Bonadio (envolvido no sucesso de Rouge, NX Zero e afins) criava o Dogão, rapper canino paulistano em desenho animado que emplacou o hit "Dogão É Mau". O cachorro tinha ainda uma banda fictícia, formada por Mano Cabuloso, seu DJ e produtor, e Nega Ganja, que além de backing vocal era namorada do Dogão.


Ele chegava a interagir com o mundo real, como nas fotos divulgadas ao lado de celebridades. Durante certo tempo, inclusive fez-se mistério sobre quem era o dono da voz por trás do personagem. Mais tarde, foi revelado se tratar de MC Suave, conhecido por integrar o grupo de rap Jigaboo.

O rapper virtual lançou um disco (que incluía até mesmo regravação de "O…

Apoie "Só Mais Uma História de Uma Banda", história em quadrinhos de Germana Viana

Germana Viana é quadrinista, criadora de obras como "Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço" e "As Empoderadas", duas das minhas histórias em quadrinhos favoritas. Agora, ela inicia um novo projeto: "Só Mais Uma História de Uma Banda", cujo financiamento coletivo está prestes a bater a meta no Catarse.

Essa é a história de uma banda dos anos 90 chamada "Cecília Não Sabe Cantar", desfeita após curto período de atividades repleto de sucesso, em uma separação conturbada. Mais de vinte anos depois, um grupo de influencers convida os ex integrantes para um show de reunião. Germana promete entregar um misto de romance e rock'n'roll nesta aventura. Já estou sentindo que vai me salvar nesta quarentena!


Você pode saber mais sobre os protagonistas de "Só Mais Uma História de Uma Banda" no próprio Catarse e no twitter da autora, onde ela vem falando sobre seu processo de criação.

Ao fim da campanha de pré-venda, apoiadores receberão ediçõ…

De Chavoso da USP a Drag Queen: Canais do Youtube para se desconstruir

É 2020 e quem não está buscando se desconstruir dos conceitos preestabelecidos pela sociedade, está no caminho errado. O momento histórico que estamos vivendo exige que entendamos os fenômenos sociais, tendo consciência dos nossos privilégios e colocando-se na posição de ouvinte diante das mais diversas narrativas. Hoje indico alguns youtubers que têm me ajudado neste processo.



Natália Romualdo e Maristela Rosa apresentam o Papo de Preta desde 2015, canal criado para dar voz às mulheres negra. As duas jornalistas falam sobre cultura pop, beleza, cotidiano e sociedade, fazendo refletir sobre temas importantes. Vale ressaltar o jeito como as profissionais da comunicação denunciam o modo como a imprensa trata o racismo, no quadro "Análise Preta". Na defesa de seus ideais, as meninas usam de vasto conhecimento e muito deboche, eu acho lindo. 


Thiago Torres, morador da Brasilândia, em São Paulo, viralizou como o "Chavoso da USP" e mantêm um canal bastante interessante no…

Resenha de HQ: "Os Flintstones", de Mark Russell

A série animada sobre a família Flintstone, produzida pela Hanna Barbera nos anos 60, certamente fez parte da infância de todos, ganhando uma ousada releitura pelas mãos de Mark Russell e Steve Pugh, em 2016. Embora Wilma, Fred e Barney ainda vivam na idade da pedra, esta série de histórias em quadrinhos traz conflitos que refletem e criticam nossa sociedade atual.



Esta obra prima que você precisa ler urgentemente retrata a formação da nossa civilização, sendo uma sátira sobre a construção das estruturas sociais que conhecemos hoje. "Os Flintstones" fala sobre a indústria da guerra, conservadorismo, capitalismo (por que choras, Estados Unidos da América?), política, sexismo, exploração da força de trabalho, patriarcado e até especulação imobiliária.


Fred e Barney acabaram de voltar de uma guerra desnecessária, frequentando grupos de apoio e tendo que lidar com seus próprios traumas. À partir daí já se pode entender o tom que a história terá. Embora a HQ seja sombria, é abso…

Joey: O spin off de Friends que não deu certo

Friends conquistou o lugar de série favorita no coração de muitos, mas pouco se fala sobre Joey, spin off protagonizada por Matt LeBlanc em 2004. A sitcom foi cancelada por baixa audiência depois de apenas duas temporadas, bem diferente de Friends, que ficou no ar durante dez anos.

Ao fim de Friends, os personagens protagonistas haviam amadurecido, dando um rumo às suas vidas e engatando relacionamentos amorosos. Joey não, o conquistador de raciocínio lento então decide deixar Nova York e dar continuidade à sua carreira de ator em Los Angeles, assim nascia a série que levava seu nome.



Agora, Joey convivia com sua irmã e sobrinho, ignorando seus antigos amigos e até mesmo traços importantes de sua personalidade, que tanto conquistou a todos em sua série de origem. É como se tivessem tentado amadurecê-lo. Outro fator prejudicial para a obra era a pressão para ser tão exitosa quanto Friends. Joey acabou por ser um fracasso de crítica e público.

Se em cena Joey já não tinha seus cinco amig…

Já houve holocausto e campos de concentração no Brasil?

Já houve holocausto e campos de concentração no Brasil? A resposta para esta pergunta é sim...e não. Sim, já houve assassinato em massa e campos onde minorias sociais eram segregadas em condições desumanas no Brasil, mas em proporções que não se comparam ao ocorrido na Alemanha Nazista, onde os termos foram popularizados.

Conforme contado por Daniela Arbex no livro e documentário "Holocausto Brasileiro", 60 mil pessoas foram assassinadas no Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. A instituição psiquiátrica foi fundada em 1903 e seus internos, ou detentos, não tinham acesso a comida, roupas, higiene e nem tratamento médico. Eram ainda submetidos a trabalho escravo.

O lugar foi mais uma forma de segregação encontrada pela sociedade higienista brasileira, onde mulheres solteiras, pessoas negras, LGBTs, crianças e idosos tiveram seu fim. Muitos dos internos nem mesmo sofriam de problemas psiquiátricos. Choques elétricos eram usados como punição e muitos faleciam durante…

A origem e as versões de Sabrina, a aprendiz de feiticeira

A série "O  Mundo Sombrio de Sabrina" ganhará mais uma temporada em 2020, mas a dona Netflix já avisou que esta será a última aventura da bruxa e seu coven. Vamos aproveitar este clima de enterro pra relembrar a origem da personagem protagonista e as adaptações que já estrelou.



Sabrina nasceu nos quadrinhos, criada pelo escritor George Gladir e pelo cartunista Dan DeCarlo. Sua primeira aparição ocorreu em 1962, como uma mera personagem secundária, mas agradou e ganhou sua própria revista.


Nos anos 70, surge sua primeira adaptação para TV, produzida pela Filmation e exibida pela CBS. No desenho animado "Sabrina, a bruxinha adolescente", as tias Hilda e Zelda tinham aparências bem diferentes das que conhecemos hoje, mais próximas da caricatura típica das bruxas.

Em 1996, uma adaptação cinematográfica é feita, tendo Melissa Joah Hart no papel de Sabrina Sawyer. Se antes Sabrina era fruto de um feitiço das tias que tinha dado errado, agora era meio humana e Salém, seu…

A difícil história de pessoas exibidas em "freak shows"

Os "freak shows", ou"shows de horrores", consistiam na exibição de humanos com anomalias genéticas ou deficiência física, como atrações de circo. A prática era comum entre os séculos dezenove e vinte, resultando na exploração de diversas pessoas e destacando a crueldade humana na busca por entretenimento. Esse sim, era o verdadeiro show de horrores.

Gêmeos e gêmeas siamesas eram atrações comuns nestes shows, sendo as irmãs Daisy e Violet Hilton um exemplo. Elas nasceram unidas pelos quadris e nádegas, filhas de uma garçonete e sem pai. A chefe da mãe das meninas ajudou no parto e resolveu comprá-las para exibição.



A mulher as treinou para cantar e dançar, usando de castigos físicos no processo. Aos três anos, já embarcavam em uma turnê mundial. Quando a tutora das gêmeas faleceu, sua filha e marido viúvo passaram a empresariar as meninas. Daisy e Violet decidiram processá-los e conseguiram um bom dinheiro. Logo deixaram de vestir-se iguais, Daisy tingiu os cabelos…

Será que vale à pena trazer o Sítio do Picapau Amarelo de volta?

Acabo de ver a notícia de que o Sítio do Picapau Amarelo ganhará mais uma adaptação cinematográfica em live action. A obra tem previsão de lançamento para 2022 e é intitulada "De Volta ao Sítio do Picapau Amarelo"...mas será que vale à pena voltar?

Logo no inicio do primeiro livro da série, o "Reinações de Narizinho", Lobato apresenta cada um dos moradores do Sítio. Dona Benta é "a mais feliz das vovós" e Nastácia, é referida como sua "negra de estimação", que carregou a neta da patroa no colo.

Em outra ocasião, no livro "Caçadas de Pedrinho", o escritor caracteriza a cozinheira como "macaca de carvão", em mais uma tentativa de desumanização. Me pergunto se é mesmo interessante trazer essa história — que envelheceu tão mal — à tona novamente. Nastácia ainda se refere a Dona Benta como "sinhá".


Em todas as adaptações recentes, a maioria dos termos racistas foi removida. Mas e o contexto? Que mensagem passamos retrat…