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Crônica: É tão fácil seguir?

  É oficial. Este blog é escrito por um profissional formado. Os leitores mais antigos bem devem lembrar de como este lugar era tomado por pautas aleatórias, textos repletos de erros gramaticais e entusiasmo. Muito entusiamo. O escritor que vos fala sempre foi tomado por uma grande vontade de produzir, só não sabia como. Aprendeu na prática.  Não à toa, ilustro o presente texto com uma foto tirada nos primeiros meses de 2017, quando me reunia com os amigos da perifa pra comentar sobre como os outros alunos da faculdade privada que eu estava frequentando se comportavam engraçado. Como as diferenças me faziam sentir deslocado. Como me faziam questionar se era lá onde eu deveria estar. Ah, também uso essa imagem pelo trocadilho com a temática reflexiva de hoje. Perdoem. Sou um piadista incurável e de gosto duvidoso.  A questão é que os anos em que fiquei "parado", educacionalmente falando, me foram cobrados. Meu ensino médio com longos períodos sem aulas básicas na rede pública
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A construção da imagem de Carmen Miranda

A imagem diz tudo. Para se obter sucesso em determinada área, decidir qual imagem você pretende transmitir é crucial. É sobre um grande exemplo de planejamento de imagem que trataremos hoje, alguém que enxergou uma demanda do mercado e se adaptou para atendê-la. Falo de Carmen Miranda. Filha de portugueses e nascida no país europeu, Maria do Carmo Miranda da Cunha tem origem bem diferente das verdadeiras baianas nas quais se inspirou para construir sua imagem. Carmen — nome pelo qual a apelidaram — nunca vendeu quitutes em Salvador e nem descende de africanos. Sua trajetória na música começa quando conhece Josué de Barros, compositor baiano que a presenteia com a canção "Não vá simbora". E é como mais uma entre as cantoras do período que ela inicia, mas logo deixaria o visual comum mostrado na foto ao lado para se tornar sinônimo de brasilidade. À partir da gravação de "Taí", a cantora torna-se diretamente ligada ao carnaval, sendo figurinha carimbada nas

Julie e os Fantasmas: Analisando as diferenças entre a série da Netflix e a original brasileira

  A série gringa da Netflix inspirada na original brasileira "Julie e os Fantasmas" estreou no último dia nove e, como acompanhei a exibição da trama da Band, decidi dar uma conferida nos primeiros episódios da nova versão, a fim de ver se a obra tupiniquim estava sendo bem adaptada e analisar as diferenças. A criação de Fabio Danesi, Paula Knudsen e Tiago Mello narrava a história de Julie, uma adolescente apaixonada por música e que não tinha coragem de se apresentar em público. O chamado para a aventura vem quando ela, seu pai e irmão se mudam para uma casa velha, onde encontra um antigo estúdio e coloca um LP para tocar. Assim, libertando os músicos mortos: Daniel, Félix e Martin. Juntos, eles realizam seus sonhos musicais. Em "Julie and the Phantoms", da Netflix, a ausência da mãe da protagonista permanece, mas agora por motivo de falecimento e a menina não muda de casa, apenas passa a explorar mais o antigo estúdio da mãe e liberta os fantasmas tocando

Bateu Nostalgia: Série Geral.com

Adolescentes reunidos no mesmo prédio, vivendo as crises e amores dignos desta fase da vida e fazendo vídeos para a internet nos momentos vagos. Parece que eu estou falando de ICarly, da Nickelodeon, mas a série que descrevo trata-se de Geral.com, trama brasileira surgida em 2009 (anos antes do programa gringo). Sim, o programa me marcou a infância e hoje venho dividir com vocês o sentimento de nostalgia, provando que não foi tudo uma alucinação minha. Três amigas criam a Liga Geral.com, uma comunidade online onde compartilham conteúdo e conhecem novas pessoas. A história da minissérie exibida pela Globo em 2009 se desenrola quando as meninas descobrem que tem uma banda no seu prédio, a WWW, formada por Xande, Luke, Mateus, Pedro e João Werneck, que tinham uma banda na vida real e eram da mesma família, assim como no programa. A partir daí, a produção se torna também um documentário sobre a história da WWW, com depoimentos de pessoas que convivem com os músicos na vida real e a

Whitewashing: Personagens não brancos interpretados por atores brancos

Talvez sem pretensão, a atriz Danni Suzuki abriu uma discussão importante. Durante transmissão ao vivo, a atriz de descendência japonesa relatou sobre como perdeu o papel de protagonista da novela "Sol Nascente" para Giovanna Antonelli. A branquitude de Giovanna não a fez ser desconsiderada para o papel de Alice Tanaka, mas Danni foi descartada sob a desculpa de ser muito velha para a personagem...Antonelli, a eleita, é dois anos mais velha que a moça. Walther Negrão, autor da novela, confirmou que a escreveu para Danni, baseando-se na vida dela para fazê-lo, no entanto, a atriz primeiro foi rebaixada para um papel coadjuvante e depois excluída do projeto. "Sol Nascente" rendeu protestos por parte do público, já que (mesmo com a temática oriental) tinha atores brancos em sua grande maioria. Essa prática de embranquecimento, infelizmente, é bastante comum. Há um caso emblemático de yellowface na história do cinema. Em 1935, a gigante Metro-Goldwyn-Mayer in