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Resenha: "Quarto de Despejo", de Carolina Maria de Jesus

Uma rotina atarefada é também paralisante. A grande lista de coisas a serem feitas acaba por me deixar sem saber por onde começo. Na dúvida sobre como usar o tempo, paro para ler. Recorri a um livro com o qual já tive contato anos atrás, mas pouco lembrava. Trata-se de "Quarto de despejo: Diário de uma favelada" , de Carolina Maria de Jesus, que se tornou uma das minhas obras favoritas, com seu texto sensível e direto.  O livro publicado em 1960 traz um pouco da rotina da autora na Favela do Canindé, em São Paulo. Carolina, uma mãe solo de três filhos que vivia de catar recicláveis, se revoltava diante das mazelas que enfrentava diretamente. Como ela própria dizia, era uma revolta justa.  Para seguir em frente mesmo diante da miséria e do descaso do poder público, ela escrevia. "Não tenho força física, mas minhas palavras ferem" , afirmava. Feriam mesmo. Sua escrita era uma espécie de vingança contra a fome, contra os políticos que só lembravam dos favelados em époc
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A série "Veneno", da HBO Max, faz justiça a um ícone

Hoje venho falar sobre a série que mais me impactou nos últimos tempos: "Veneno", distribuída pela HBO Max. Ela conta a história de Cristina Ortiz, uma prostituta espanhola que se tornou uma grande personalidade da mídia nos anos 1990, trazendo para o jantar das famílias tradicionais a discussão da pauta transgênero.  Cristina ganhou espaço na televisão do único modo como este meio de comunicação permite a entrada de pessoas como ela: por acaso e com altas doses de sexualização. Ela estava se prostituindo no Parque del Oeste, em Madrid, quando chamou a atenção de uma repórter do programa "Esta Noche Cruzamos el Mississippi". O carisma e os comentários de duplo sentido da garota de programa, conhecida como La Veneno, chamaram a atenção de todo o público. Logo ela se tornou atração fixa do show.  A vida de Cristina virou uma verdadeira novela. Através do programa ela pôde reencontrar seus pais, precisando lidar com a desaprovação de sua mãe em relação à sua identidade

Tidinha, um meme de Lado B e mais que isso

Conheci Tidinha por acaso, na época do Orkut, ainda em 2011. Quando eu planejava começar um blog, foi ela que me deu as primeiras dicas sobre a internet. Conversamos por horas no MSN, Facebook e outras redes sociais, trocando ideias sobre as plataformas e ferramentas de edição de vídeo. Acredita que até logo pro Conexão Mista ela já fez? Se o blog participava de alguma votação popular, Tidinha também vinha me ajudar.  Na época ela era uma jovem que tinha visto na internet um caminho pra realizar seu grande sonho: ser apresentadora infantil. Com boa desenvoltura com a câmera e dedicação à carreira, a moça conseguia certa notoriedade no Youtube entre um clipe musical e outro. Foi grande a minha surpresa quando vi que o conteúdo que ela produzia tinha ganhado o grande público através dos memes.  Hoje Tidinha é conhecida por ser fã da Xuxa e seguir a artista em todos os lugares que vai. Sua trajetória anterior, no entanto, ainda é desconhecida por muitos e é sobre isso que trataremos aqui

Séries pra maratonar: "The Bold Type", "Manhãs de Setembro" e "Invencível"

Quando a quarentena começou, pensei que esse tempo em casa seria ótimo pra colocar minhas séries em dia. Nesse período, terminei todas elas e descobri que o isolamento estava bem longe de qualquer adjetivo positivo. Depois de tantos meses, eu realmente precisava encontrar novas produções pra me alienar, foi quando me deparei com as séries que listo aqui hoje. A primeira é The Bold Type, que no Brasil ganha o título genérico de Poder Feminino. A série conta a história de Jane, Kat e Sutton, três grandes amigas que trabalham na revista feminina Scarlet e buscam ascensão profissional. Jane é repórter, Kat atua nas redes sociais da revista e Sutton é assistente na empresa. Todas as personagens são bastante interessantes, mas vale destacar esta última, com seu bom humor e comentários sarcásticos.  A série tem seus melhores momentos dramáticos em episódios como o décimo da terceira temporada, intitulado "Carregue o Peso", quando a chefe do trio protagonista começa a revelar algumas

Resenha de HQ: "Angola Janga", de Marcelo D'Salete

Transmitir a história de resistência do povo negro no Brasil nunca esteve entre as prioridades da escola ou de qualquer governo que tivemos, de modo que muitos feitos desse grupo acabam minimizados ou apagados. Um deles é o Quilombo dos Palmares, personificado na imagem de Zumbi e relembrado anualmente, em novembro. Obras como a história em quadrinhos "Angola Janga", de Marcelo D'Salete, contribuem para que esse marco não se perca. O trabalho leva este nome porque era assim que os quilombolas chamavam sua comunidade, uma "pequena Angola", composta por diversos mocambos, como Acotirene, Curiva, Tabocas e a capital, nomeada Macaco. Esta tinha a população equivalente às das grandes cidades da colônia. O romance histórico se passa no período de queda do reino dos palmarinos, situado em Pernambuco.  Esta obra tem ilustrações em preto e branco, contando com passagens de documentos históricos na separação capitular. Através dela, o autor faz mais que um relato históric