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A construção da imagem de Carmen Miranda

A imagem diz tudo. Para se obter sucesso em determinada área, decidir qual imagem você pretende transmitir é crucial. É sobre um grande exemplo de planejamento de imagem que trataremos hoje, alguém que enxergou uma demanda do mercado e se adaptou para atendê-la. Falo de Carmen Miranda. Filha de portugueses e nascida no país europeu, Maria do Carmo Miranda da Cunha tem origem bem diferente das verdadeiras baianas nas quais se inspirou para construir sua imagem. Carmen — nome pelo qual a apelidaram — nunca vendeu quitutes em Salvador e nem descende de africanos. Sua trajetória na música começa quando conhece Josué de Barros, compositor baiano que a presenteia com a canção "Não vá simbora". E é como mais uma entre as cantoras do período que ela inicia, mas logo deixaria o visual comum mostrado na foto ao lado para se tornar sinônimo de brasilidade. À partir da gravação de "Taí", a cantora torna-se diretamente ligada ao carnaval, sendo figurinha carimbada nas
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Julie e os Fantasmas: Analisando as diferenças entre a série da Netflix e a original brasileira

  A série gringa da Netflix inspirada na original brasileira "Julie e os Fantasmas" estreou no último dia nove e, como acompanhei a exibição da trama da Band, decidi dar uma conferida nos primeiros episódios da nova versão, a fim de ver se a obra tupiniquim estava sendo bem adaptada e analisar as diferenças. A criação de Fabio Danesi, Paula Knudsen e Tiago Mello narrava a história de Julie, uma adolescente apaixonada por música e que não tinha coragem de se apresentar em público. O chamado para a aventura vem quando ela, seu pai e irmão se mudam para uma casa velha, onde encontra um antigo estúdio e coloca um LP para tocar. Assim, libertando os músicos mortos: Daniel, Félix e Martin. Juntos, eles realizam seus sonhos musicais. Em "Julie and the Phantoms", da Netflix, a ausência da mãe da protagonista permanece, mas agora por motivo de falecimento e a menina não muda de casa, apenas passa a explorar mais o antigo estúdio da mãe e liberta os fantasmas tocando

Bateu Nostalgia: Série Geral.com

Adolescentes reunidos no mesmo prédio, vivendo as crises e amores dignos desta fase da vida e fazendo vídeos para a internet nos momentos vagos. Parece que eu estou falando de ICarly, da Nickelodeon, mas a série que descrevo trata-se de Geral.com, trama brasileira surgida em 2009 (anos antes do programa gringo). Sim, o programa me marcou a infância e hoje venho dividir com vocês o sentimento de nostalgia, provando que não foi tudo uma alucinação minha. Três amigas criam a Liga Geral.com, uma comunidade online onde compartilham conteúdo e conhecem novas pessoas. A história da minissérie exibida pela Globo em 2009 se desenrola quando as meninas descobrem que tem uma banda no seu prédio, a WWW, formada por Xande, Luke, Mateus, Pedro e João Werneck, que tinham uma banda na vida real e eram da mesma família, assim como no programa. A partir daí, a produção se torna também um documentário sobre a história da WWW, com depoimentos de pessoas que convivem com os músicos na vida real e a

Whitewashing: Personagens não brancos interpretados por atores brancos

Talvez sem pretensão, a atriz Danni Suzuki abriu uma discussão importante. Durante transmissão ao vivo, a atriz de descendência japonesa relatou sobre como perdeu o papel de protagonista da novela "Sol Nascente" para Giovanna Antonelli. A branquitude de Giovanna não a fez ser desconsiderada para o papel de Alice Tanaka, mas Danni foi descartada sob a desculpa de ser muito velha para a personagem...Antonelli, a eleita, é dois anos mais velha que a moça. Walther Negrão, autor da novela, confirmou que a escreveu para Danni, baseando-se na vida dela para fazê-lo, no entanto, a atriz primeiro foi rebaixada para um papel coadjuvante e depois excluída do projeto. "Sol Nascente" rendeu protestos por parte do público, já que (mesmo com a temática oriental) tinha atores brancos em sua grande maioria. Essa prática de embranquecimento, infelizmente, é bastante comum. Há um caso emblemático de yellowface na história do cinema. Em 1935, a gigante Metro-Goldwyn-Mayer in

"Living Single", a versão original e negra de "Friends"

A sitcom "Living Single" fez história, com Queen Latifah, Kim Fields, Kim Coles, John Henton, Terrence C. Carson e Erika Alexander no seu elenco de protagonistas. A série era centrada em um grupo de amigos que vivia em dois apartamentos do mesmo prédio, dividindo suas experiências pessoais e profissionais em Nova York. Este viria a ser um dos seriados afro-americanos mais populares da época. O programa despertou a atenção de muitos, logo em seu primeiro ano de exibição no Warner Channel. Neste período, um executivo da NBC, o Warren Littlefield, revelou em entrevista que "Living Single" era uma produção que gostaria de ter em sua emissora. Pouco tempo depois, a NBC estreia "Friends", série com a mesma temática e até personagens com personalidades parecidas, mas todos interpretados por atores brancos. Enquanto o programa original da Warner era iconizado junto à população negra, retratando mulheres afro-americanas em cargos de poder (como dona de rev