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Tres Espiãs Reais: Josephine Baker, Lise de Baissac e Mata Hari

Josephine Baker

Amaryllis Fox, ex espiã da CIA, disse em entrevista recente que mulheres são as mais adequadas para o serviço secreto, por terem mais inteligência emocional, intuição e serem multitarefas. Me fez refletir sobre as mulheres que atuaram como agentes secretas em confrontos mundiais, marcando a história.

Caricatura que insinuava seu
envolvimento com o comunismo

Josephine Baker foi uma grande vedete, tida como a primeira grande estrela negra das artes cênicas. Nascida em 1906, ela começou a cantar e dançar ainda na infância, profissionalizando-se. Como artista popular que era, Josephine transitava em importantes espaços sem levantar suspeita, atuando como espiã durante a Segunda Guerra Mundial.

A vedete colaborou para a Resistência Francesa, movimento que não aceitava a submissão do país ao poder nazista. Depois do confronto mundial, ganhou medalhas e recebeu o título de Cavaleiro da Legião da Honra, pelas mãos do então presidente Charles de Gaulle. Josephine Baker Facts | Mental Floss
Além de cantora, atriz e espiã, Josephine era militante pela emancipação dos negros e mãe de 12 crianças adotivas, vindas de diversas partes do mundo. Ela os chamava de "tribo arco-iris". 

Lise de Baissac – Wikipédia, a enciclopédia livreLa primera espía que saltó en paracaídas, Lise de Baissac (1905-2004)
Lise de Baissac trabalhava em um jornal no Reino Unido quando a organização Executiva de Operações Especiais passou a recrutar mulheres e ela decidiu se alistar para contribuir no combate aos nazistas. 

Lise foi selecionada para criar sua própria rede de espionagem e, em 1942, lá estava ela, sendo uma das primeiras mulheres a pular de paraquedas sobre a França ocupada pelos exércitos de Hitler. Esta foi sua primeira missão, a fim de abrir caminho para que novos agentes chegassem ao país.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a agente secreta se passou por viúva e arqueóloga amadora para colher informações, tornando-se vizinha do quartel da Gestapo (polícia secreta alemã) e ficando estrategicamente próxima do chefe da instituição. Ela ainda treinou novas espiãs, além ter participado da sabotagem de 82 navios-tanques inimigos, trabalhando até a libertação da França. Posteriormente, foi reconhecida como heroína de guerra e atuou na BBC. 

Mata Hari: conheça a triste história da espiã mais famosa do mundo ...

Por último, falemos da holandesa Margaretha Gertruida. Recém saída de um casamento infeliz, em 1903, ela tentava sobreviver em Paris como modelo. Posteriormente, usou os conhecimentos que adquiriu vivendo na Indonésia para se passar por princesa javanesa, apresentando-se em shows de striptease. 

Agora conhecida como a dançarina exótica Mata Hari, ela passou a se relacionar com importantes militares e políticos. Com o declínio de sua carreira, tornou-se cortesã e logo depois aceitou a proposta do francês Georges Ladoux de usar seus métodos de sedução para conseguir informações de militares inimigos, sendo bem paga por isso.

Mata não se deu muito bem no novo oficio, falhando em suas missões e, em certa ocasião, trazendo informações erradas. No cenário caótico da Primeira Guerra Mundial, foi o bastante para que fosse acusada de ser uma agente dupla. 
Aventuras na História · A espiã improvável: 8 fatos sobre Mata Hari

Muitas eram as histórias que criava acerca de si mesma, a fim de tornar-se uma figura misteriosa e atrativa em seus shows. O personagem criado por ela parecia capaz de tudo e a fez ser considerada a maior espiã do século pelos que desejavam sua execução, mesmo que a dançarina fosse apenas movida pela ingenuidade. 

"Uma rameira? Sim, mas uma traidora - jamais!", ela teria dito durante seu julgamento, mas, mesmo que não houvesse provas o bastante, em outubro de 1917, foi morta por um pelotão de fuzilamento francês.  

                Odette Hallowes – Wikipédia, a enciclopédia livreNoor Inayat Khan – Wikipédia, a enciclopédia livreViolette Szabo – Wikipédia, a enciclopédia livre
Quando se fala em mulheres na espionagem, ainda vale mencionar Odette Hallowes que, embora torturada 14 vezes, não entregou seus companheiros de batalha, além da russa Noor Ynaiat e a francesa Violet Szabo, ambas executadas em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. 

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