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A difícil história de pessoas exibidas em "freak shows"

Austin Commission Votes to Ban Use of 'Painful Devices' on Circus ...

Os "freak shows", ou "shows de horrores", consistiam na exibição de humanos com anomalias genéticas ou deficiência física, como atrações de circo. A prática era comum entre os séculos dezenove e vinte, resultando na exploração de diversas pessoas e destacando a crueldade humana na busca por entretenimento. Esse sim, era o verdadeiro show de horrores.

Gêmeos e gêmeas siamesas eram atrações comuns nestes shows, sendo as irmãs Daisy e Violet Hilton um exemplo. Elas nasceram unidas pelos quadris e nádegas, filhas de uma garçonete e sem pai. A chefe da mãe das meninas ajudou no parto e resolveu comprá-las para exibição.



A mulher as treinou para cantar e dançar, usando de castigos físicos no processo. Aos três anos, já embarcavam em uma turnê mundial. Quando a tutora das gêmeas faleceu, sua filha e marido viúvo passaram a empresariar as meninas. Daisy e Violet decidiram processá-los e conseguiram um bom dinheiro. Logo deixaram de vestir-se iguais, Daisy tingiu os cabelos e conquistaram maior individualidade.
Violet & Daisy Hilton, also known as the San Antonio Siamese Twins ...

Aos 53 anos, em 1961, o gerente de sua turnê as abandonou na Carolina do Norte. Sem dinheiro pra passagem, foram obrigadas a aceitar emprego em um supermercado. Certa ocasião, seu chefe estranhou as faltas das irmãs, então foram encontradas mortas em casa. Daisy teria morrido primeiro e Violet, de dois a quatro dias depois.

Lucia ZarateLucia Zarate tinha nanismo primordial tipo II e fazia apresentações circenses. Lucía foi parar no Guiness Book como pessoa mais leve do mundo, com 2,1 kg. Viria a falecer quando o trem em que viajava quebrou durante uma grande nevasca, morrendo de hipotermia.

Sarah Baartman talvez seja o caso mais conhecido. A africana tinha esteatopigia, uma hipertrofia das nádegas, o que a fez ser explorada por empresários. Sarah foi exibida no Reino Unido e Paris, onde não era só observada como aberração, como também tinha seu corpo violado. A mulher foi alvo de zombaria, caricaturas e utilizada  para reafirmar crenças racistas, em mais uma tentativa de animalização de pessoas negras.

Sarah Baartman: a chocante história da africana que virou atração ...

Com a crise trazida pelo fim do governo de Napoleão, as exposições acabaram e Sarah passou trabalhar com um exibidor de animais, além de tornar-se alcoólatra, teria precisado se prostituir.

Mesmo após sua morte, seu corpo foi dissecado e exposto. Apenas em 2002, Nelson Mandela conseguiu que a França devolvesse os restos mortais da moça, que finalmente foram enterrados em sua terra natal.

Conheça a trágica história de Joseph Merrick, o “Homem Elefante ...Joseph Marrick tornou-se conhecido como o "Homem Elefante", por ter sofrido de doença congênita que lhe deu uma aparência diferente da maioria das pessoas. Ele perdeu a mãe aos 10 anos e não foi aceito pela madrasta, deixando a casa em que vivia.

Marrick era constantemente humilhado e não conseguia se empregar, tendo recorrido ao circo para sobreviver. Ele foi maltratado e roubado por seu empresário, mas tornou-se uma celebridade no Reino Unido, próximo até mesmo da própria Rainha Vitória.

Joseph teve acesso a tratamento médico e encontrou felicidade nas viagens que realizou, além do seu gosto especial pela escrita, falecendo em 1890.

Julia Pastrana – Wikipédia, a enciclopédia livrePor último, vale citar a mexicana Julia Pastrana, que era cantora, dançarina, falava várias línguas e adorava livros. No entanto, foi reduzida à sua hipertricose, condição que a fazia ter o corpo coberto por pelos. Ela foi vendida para o circo, indo parar nos  Estados Unidos, e fugiu com Theodore Lent, com quem se casou. Ele também se tornou seu empresário.

Anunciada como "Mulher Macaco", Julia estava na Rússia quando deu a luz a um menino que tinha características parecidas com as dela e faleceria em seguida. Cinco dias depois, ela própria faleceu por complicações pós parto. Theodore vendeu os corpos da esposa e do filho para um professor da Universidade de Moscou, onde foram preservados taxidermicamente.

As mortes ocorreram em 1860, mas os corpos continuaram em exibição, foram também roubados, vandalizados e ratos ainda os enfestaram. Apenas em 2013, foram enterrados em Sinaloa, México. 

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