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Séries pra maratonar: "The Bold Type", "Manhãs de Setembro" e "Invencível"


Quando a quarentena começou, pensei que esse tempo em casa seria ótimo pra colocar minhas séries em dia. Nesse período, terminei todas elas e descobri que o isolamento estava bem longe de qualquer adjetivo positivo. Depois de tantos meses, eu realmente precisava encontrar novas produções pra me alienar, foi quando me deparei com as séries que listo aqui hoje.

A primeira é The Bold Type, que no Brasil ganha o título genérico de Poder Feminino. A série conta a história de Jane, Kat e Sutton, três grandes amigas que trabalham na revista feminina Scarlet e buscam ascensão profissional. Jane é repórter, Kat atua nas redes sociais da revista e Sutton é assistente na empresa. Todas as personagens são bastante interessantes, mas vale destacar esta última, com seu bom humor e comentários sarcásticos. 






A série tem seus melhores momentos dramáticos em episódios como o décimo da terceira temporada, intitulado "Carregue o Peso", quando a chefe do trio protagonista começa a revelar algumas de suas camadas. Jacqueline Carlyle certamente é a personagem que melhor se desenvolve ao longo dessas quatro temporadas, enquanto Kat, que tanto prometeu no começo, se perde a cada novo arco que se forma. Mas e daí? A série entrega diversão e entretenimento do bom, mesmo com algumas inconsistências. É como se não houvesse compromisso. Algo que muito me agradou.









A segunda série que preciso recomendar vai trazer um pouco mais de reflexões e te fazer passar alguns ódios. Manhãs de Setembro, do Prime Vídeo, é a estreia de Liniker como atriz, desafio que ela cumpre muito bem. Lembro de tê-la visto em 3%, numa das minhas cenas preferidas da série, mas ainda assim era um número musical, algo que todos já sabem que a artista domina.  

Agora, ela interpreta Cassandra, uma motogirl que finalmente está vendo a vida dar os primeiros sinais de que pode ficar ao seu favor, conseguindo uma kitnet só sua e cantando na noite. Até que essa moça descobre que é mãe. O menino aparece de surpresa em sua vida procurando Clóvis, persona masculina que Cassandra utilizava antes de se descobrir trans. Embora encantadora, a criança é tudo menos desejada. Devo dizer que me irritei com o modo como sua nova mãe o tratava em diversos momentos.

Abandonada pela genitora, Cassandra não recebeu muito afeto na vida e demora a aprender a dar. O processo é bonito. A última cena da série de cinco episódios emociona com pouco. É bem interessante. Merece elogio também a atuação de Gustavo Coelho como Gersinho, seu filho, e de Karine Teles como Leide. Essa atriz me encanta de modo especial. É um rosto comum na TV, mas que só consegue mostrar a profundidade de sua atuação em papéis mais alternativos. Gostaria muito de vê-la com outros personagens legais, como este, na TV aberta, que acaba atingindo mais público. 

Ah! É importante explicar que a série leva esse nome por conta da música de maior sucesso da Vanusa, que está sempre presente, musicalmente e como a consciência de Cassandra. "Fui eu que num esforço se guardou na indiferença", Vanusa diz na letra de Manhãs de Setembro. A canção traduz a protagonista da série. 










Por fim, me alienei tanto que tentei deixar até a vida adulta de lado. É urgente sugerir que você assista a série animada "Invencível", baseada em uma trama de história em quadrinhos. Ela traz a narrativa de Mark Grayson, um adolescente que tem a responsabilidade de ser filho do maior herói que habita o planeta, Omni-Man. Mark está descobrindo seus poderes e, de início, parece que a série tratará basicamente disso: um filho tentando alcançar os padrões difíceis estabelecidos pelo pai, mas a figura desse homem intocável começa a ser questionada. 

Tem grandes plot-twists na história, então é melhor que eu não conte mais. Ao longo dos dez episódios, crânios são esmagados, tripas vão pra fora dos corpos e há derramamento de sangue...muito sangue. Pontuo aqui um trecho envolvendo uma estação de trem, no capitulo dez. Lembre de mim quando assistir. 

As cenas violentas são um ganho da série, mas não são gratuitas, apenas impactantes ao extremo. Isso tudo é intercalado com momentos divertidos em que Mark tenta ser um adolescente normal ou se mostra um herói muito desengonçado. 

O jeito como a vinheta é introduzida é muito criativo. Eu lembro de ficar esperando curioso durante as introduções de cada episódio para saber quando "Invencível" apareceria na tela. Digo sem dúvidas que é a melhor animação de heróis que vejo desde o clássico da Liga da Justiça, que o Bom Dia e Companhia tanto reprisou. 

Essas três produções entregaram tudo que eu precisava e nem sabia, espero que te ajudem a se desprender um pouco do desgaste da realidade também. 

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