29 abril 2014

A História de Inês Castro,Coroada Rainha Depois de Morta



 Comentamos hoje um dos casos mais curiosos de toda a história,a paixão de D. Pedro I por Inês de Castro. Não era um caso de amor entre Montecchios e Capuleto,mas é um dos mais interessantes e trágicos que se teve noticia.

 Em 24 de agosto acontecia o casamento entre D. Pedro e Constança Emanuel,na Sé de Lisboa. Porém,não foi por Constança que Pedro viria a se apaixonar,mas sim por uma das damas de companhia dela,Inês de Castro. O romance foi completamente desaprovado pelo pai de D. Pedro,rei D. Afonso XI,e por toda a sociedade. Temia-se que D. Pedro fosse mal visto pela sociedade,o que quebraria o exemplo de família que era a Família Real.

 O exílio foi a solução encontrada pelo rei. Inês foi exilada no Castelo de Albuquerque,onde havia sido criada por uma tia,a mesma era esposa dum meio irmão do rei. Constança acabou falecendo durante o parto de Fernando I,levando o viúvo a exigir o regresso de Inês do exílio.

 D. Afonso entrou em profundo desgosto,já que agora seu filho vivia junto a Inês de Castro. Tudo foi um grande escândalo na corte,causando grande desavença entre pai e filho. Uma resolução seria casá-lo com uma jovem de sangue real,mas D. Pedro alegou ainda estar empacado numa depressão pela morte de Constança e não estar pronto para se envolver com mais ninguém. 

  Frutos da relação vieram quatro filhos,um morto ao nascimento. Não demorou para o surgimento de boatos dum possível e secreto casamento de D. Pedro e Inês,ele negava tudo,mas tudo ficava cada vez mais obvio para a corte  pro próprio povo. Um grande medo do então rei,D. Afonso,era que a coroa acabasse nas mãos dum neto bastardo,já que surgiu um boato de que os Castros armavam um assassinato ao infante (este era o nome dado aos filhos legítimos da Família Real portuguesa) Fernando I (filho de D. Pedro com Constança).

 O escândalo politico fez com que a corte e a burguesia portuguesa pressionasse o rei,para que afastasse as influências de seu herdeiro. A solução seria matar a dama de Castro. Para afastar suspeitas e fazer com que D. Pedro abaixasse a guarda,o rei mandou que seus conselheiros avisassem a D. Pedro que poderia casar com Inês quando bem quisesse. Esteve claro que tudo era uma cilada,e Pedro percebeu,respondendo que não desejava casar-se nunca com esta mulher.


 O casal agora morava no Paço de Santa Clara,lugar onde a avó de D. Pedro construiu e passou os últimos dias,deixando claro que lá só deveriam morar os reis e príncipes com suas esposas legitimas. Lá foi o rei Afonso com outros assassinos,aproveitando uma viagem de caça do filho. Inês foi executada em 1355.


 D. Pedro viria a se tornar rei dois anos depois. A primeira coisa que fez depois de subir ao trono foi buscar vingança. Assistiu a morte dos assassinos de sua mulher enquanto se banqueteava,um teve o coração arrancado pela frente e outro por trás. Um deles fugiu à França e obteve perdão. Os então bastardos viraram filhos oficiais,já que o rei conseguiu provar que havia realmente se casado secretamente com Inês. Conta-se que o rei ordenou que o cadáver de Inês fosse posto na sala do trono,onde todos os nobres beijaram sua mão. Houve também uma cerimônia de coroação. Os dois foram enterrados um frente ao outro,para que "se encontrassem e caminhassem juntos no dia do juizo final".

Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte das Lágrimas da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.

 Fernando acabou sendo coroado rei,sucessor de D. Pedro. Seu governo foi marcado por sua bela aparência,confirmada por várias fontes, e o modo como governou mal. Houve até ameaça de que um estrangeiro viesse a se tornar rei. Talvez um daqueles "bastardinhos" tivessem feito o país crescer.

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