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A construção da imagem de Carmen Miranda

No aniversário de nascimento de Carmen Miranda, 5 momentos que provam que  ela foi a maior estrela brasileira em Hollywood – Notas – Glamurama

A imagem diz tudo. Para se obter sucesso em determinada área, decidir qual imagem você pretende transmitir é crucial. É sobre um grande exemplo de planejamento de imagem que trataremos hoje, alguém que enxergou uma demanda do mercado e se adaptou para atendê-la. Falo de Carmen Miranda.

Filha de portugueses e nascida no país europeu, Maria do Carmo Miranda da Cunha tem origem bem diferente das verdadeiras baianas nas quais se inspirou para construir sua imagem. Carmen — nome pelo qual a apelidaram — nunca vendeu quitutes em Salvador e nem descende de africanos.

Sua trajetória na música começa quando conhece Josué de Barros, compositor baiano que a presenteia com a canção "Não vá simbora". E é como mais uma entre as cantoras do período que ela inicia, mas logo deixaria o visual comum mostrado na foto ao lado para se tornar sinônimo de brasilidade.

À partir da gravação de "Taí", a cantora torna-se diretamente ligada ao carnaval, sendo figurinha carimbada nas rádios e, posteriormente, nos filmes musicais brasileiros com temática carnavalesca. O último deles foi a comédia "Banana da Terra", onde seu destino seria selado. No filme de 1939, por acaso, Carmen acabou cantando "O Que É Que A Baiana Tem?", de Dorival Caymmi, e "fantasiando-se" de baiana pela primeira vez.



Em plena Era Vargas, era grande o ufanismo e a valorização da cultura nacional, mesmo que as minorias sociais responsáveis por sua criação fossem desvalorizadas (como ainda são hoje). A performance da moça agradou a todos e seu talento foi ainda mais reconhecido, destacado pela nova identidade visual.

No mesmo ano e com figurino semelhante, foi descoberta no Cassino da Urca por um empresário norte-americano, o Lee Shubert. O homem viu na figura exótica um atrativo para os shows que administrava na Brodway. E lá foi ela, no momento oportuno em que os Estados Unidos passavam a estreitar relações com o Brasil devido à Segunda Guerra Mundial.

Disseram que voltei americanizada

É assim que a imagem de Carmen se torna sinônimo de brasilidade e latinidade, afinal foi ela a primeira artista da América Latina a conquistar uma estrela na calçada da fama. A moça estrelou diversos filmes estrangeiros e foi a artista mais bem paga dos Estados Unidos em determinado período. Foram poucos os momentos em que pôde deixar o visual esteriotipado, tornando-se "escrava" do personagem que criara e do seu turbante de frutas.

Era como se  o adereço fosse o próprio Brasil e se fizesse presente para lembrar de que ela não era um deles (não que ser um deles significasse algo bom). Ele ganha ainda mais destaque no filme "The Gang's All Here", onde Carmen Miranda interpretava a "exótica" amiga da protagonista e cantava uma música que, em tradução livre, se chama "A moça do chapéu de frutas". "Algumas pessoas dizem que eu me visto de modo muito extravagante, mas todos os dias eu me sinto extravagante", ela cantava, mesmo que em sua vida privada ainda tivesse a postura mais discreta do inicio da carreira.

Embora tenha partido para o estrangeiro sem saber inglês, aprendeu rápido. A fim de manter a imagem construída, seguindo a orientação dos empresários, Carmen Miranda forçava um sotaque carregado. Ao invés de falar "country", por exemplo, ela dizia "cuntre" em cena. Há relatos de que isso a irritava bastante.



Na última vez em que subiu ao palco, em 1955, no programa de Jimmy Durante, lá estavam seus trajes típicos, lembrados até hoje, mundo afora. Na ocasião, a vedete tentava manter o ritmo frenético de dança e equilibrar o chapéu de frutas na cabeça, com a simpatia de sempre, mesmo que estivesse no inicio do que seria um ataque cardíaco.

Além de reconhecer o imenso valor que a brasileira tem para a nossa cultura, é importante também entender o cenário que proporcionou sua ascensão e os elementos culturais que foram apropriados para que acontecesse. 

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