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Vale à pena ler "Outro Dia" e "Algum Dia", de David Levithan?



"Todo Dia", de David Levithan, é um romance jovem adulto que conseguiu um lugar na minha estante (feito louvável, visto que prefiro me manter longe do estilo) e a explicação se dá por sua premissa bizarra: O livro trata de um ser que todo dia acorda no corpo de alguém diferente, não importando gênero, raça, crença ou qualquer outro fator.

Esse ser se autodenomina "A" e sua vida muda quando acorda no corpo de um namorado abusivo, se apaixonando pela namorada do rapaz. A e sua crush penam pra fazer esse relacionamento dar certo.

Todo dia: 1: Levithan, David, Resende, Ana: Amazon.com.br: Livros Ele arrisca tudo, inclusive sua identidade, para viver este amor impossível, e o leitor torce pelo casal, aprendendo sobre empatia ao acompanhar a rotina de alguém que literalmente se coloca na pele de outra pessoa todos os dias.

O final de "Todo Dia" é triste e deixa questões em aberto, então surge uma sequência: "Outro Dia", e o leitor espera que elas sejam respondidas...a maioria não é. "Outro  Dia" apenas narra a mesma história contada no livro anterior, só que agora pelo ponto de vista de Rhiannon, a paixão de A.

Enquanto foi interessante acompanhar os dilemas da pessoa que pega corpos emprestados diariamente, saber da perspectiva de Rhiannon não me pareceu tão relevante.

Devo dizer que foi uma decepção, eu esperava mesmo acompanhar A em sua busca por respostas acerca de si mesmo, talvez um embate com o antagonista revelado no livro 1, mas só temos informações inéditas nas últimas páginas.

Se tem uma coisa que eu venho sendo ao longo da minha vida, é trouxa, então depositei as esperanças no livro seguinte: "Algum Dia". Agora, sim, temos a continuação do primeiro livro, mas ela se mostra mais monótona que eu pensei.

Se no primeiro livro tínhamos o ponto de vista de A e no segundo o de Rhiannon, agora, temos pontos de vista de diversos personagens...alguns mais interessantes que os outros. O autor divaga na subjetividade dos personagens e na sua confusão sentimental.

É como se a história andasse em círculos, ao redor da angústia dos protagonistas. O leitor se sente no meio de um djavu, já que a maioria das questões do casal e as dificuldades que os separam já foram discutidas no primeiro livro.

Mas calma! A história ganha por nos apresentar narrativas parecidas com a de A e finalmente engrena com o ressurgimento do antagonista. Por fim, David Levithan acabou decidindo por dar soluções fáceis para os problemas que permearam a trilogia, o que me faz temer que ele tenha um quarto livro engatilhado. Não precisa, sabe?



"Todo Dia" é extremamente interessante e traz elementos inéditos para o mercado dos young adults, já os dois livros seguintes, nem tanto. É como se o autor pecasse na resolução da trama que ele próprio criou, fazendo-a perder relevância.

Então, vale à pena ler "Outro Dia" e "Algum Dia"? Depende. O quão fã da franquia você é? Gosta dos personagens o bastante para desejar a companhia deles, mesmo sem um enredo tão relevante? Então, sim. Mas se você é como eu, mais interessado na ação que no romance...talvez não. 

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