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O mangá Saintia Sho e a representação feminina em Cavaleiros do Zodíaco



Como bom fã de Cavaleiros dos Zodíaco e consumidor de tudo relacionado à marca (desde que não seja a série "Ômega"), me animei bastante com o lançamento do mangá "Saintia Sho", que conta a história das guerreiras que faziam a guarda pessoal de Saori, a reencarnação da deusa Athena. A obra não é de autoria do Masami Kurumada, autor original, e insere novos elementos ao universo criado por ele...motivos bastantes para me preocupar. Depois de ler os quatro primeiros volumes, venho dividir minhas impressões com vocês.

Essas guerreiras não são como as mascaradas da série original, chamadas de Amazonas, são Saintias que se escondem na sombra de Athena, de modo que até mesmo os demais Cavaleiros as têm como lendas. Tal fator explica o motivo pelo qual nunca foram citadas antes, uma solução inteligente de Chimaki Kuori. A autora conseguiu desenvolver uma história paralela ao que foi contado na série original, criando novas heroínas sem substituir os clássicos e, de certa forma, fazendo reparação, já que as mulheres sempre foram sub-representadas na série.

Diferentes das Saintias, as Amazonas eram mulheres que abdicaram de sua feminilidade, nunca revelando seus rostos. Shaine (China, pros íntimos) de Ofiúcio, por exemplo, é uma personagem da criação original sobre a qual gostaria de conhecer mais, mas acaba resumida a sua obsessão por Seiya, líder dos Cavaleiros de Bronze. Falando nele, há características semelhantes entre o herói e a protagonista de "Saintia Sho", Shoko de Cavalo Menor (?).

Além da aparência, armadura e constelação com traços parecidos com os de Seiya, Shoko é teimosa e segue o roteiro de luta do Cavaleiro de Pégaso (baseada em apanhar até quase morrer e depois reagir, elevando o cosmo). Ela também precisa lidar com a ausência da irmã.

Saori participa mais da ação neste mangá, fortalecendo a narrativa feminina, cuja principal inimiga é a Deusa Éris, mostrando sua força e posição de poder em luta. Uma adaptação anime foi lançada em 2018 e criticada por não seguir as mesmas premissas, deixando de aprofundar personagens e até mesmo fetichizando as guerreiras.

Ah! Vale pontuar que as artes de capa e contracapa, além das páginas coloridas no inicio de cada edição, são mais quesitos positivos do mangá, que eu certamente recomendaria.  

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