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Adolescentes assassinados pelo racismo nos Estados Unidos

George Stinney, inocente ou um assassino brutal?

[AVISO DE GATILHO] O assassinato de pessoas negras nos Estados Unidos, com o aval do sistema, é uma prática extremamente recorrente ao longo da história do país. Milhões de pessoas se tornaram vítimas fatais do racismo norte-americano, inclusive adolescentes. 

George Stinney tinha 14 anos e vivia no sul do país, sob as leis de segregação racial. Em 1944, as meninas brancas Betty June e Maria Emma, de 8 e 11 anos, passaram pela casa da família do garoto e perguntaram se ele e sua irmã mais nova sabiam onde havia Flores-da-Paixão. 

As meninas não retornaram pra casa e, após buscas, seus corpos foram encontrados em uma vala.  George foi preso pelo crime imediatamente. Seu pai foi demitido e a família precisou se mudar do local. O garoto foi interrogado por vários oficiais, durante horas, trancado e sem ninguém para testemunhar a ação. 
George Stinney Jr - O mais jovem condenado a cadeira eléctrica
Após suposta confissão de abuso sexual seguido de assassinato ser apresentada pelos policias, e um julgamento onde seu advogado (branco) se recusou a defendê-lo perante o júri (branco), George Stinney foi condenado à cadeira elétrica, mesmo que um rapaz com seu porte físico fosse incapaz de empunhar a arma do crime, fazendo duas vítimas ao mesmo tempo. 

O equipamento usado para a execução era de tamanho adulto e não cabia, necessitando várias descargas elétricas até que seu óbito fosse declarado. 

Em 2014, a execução foi considerada irregular. "Não lembro de um caso, em que tenham sido tão abundantes as provas de violações aos direitos constitucionais e tantas as injustiças", disse a juíza responsável. 

Who was Emmett Till? | American Experience | Official Site | PBS
Em 1955, Emmet Louis Till, 14 anos, estava em um mercado, com os amigos, onde supostamente assobiou para Carolyn Brent, uma mulher branca de 21 anos. Quatro dias depois, o marido e o meio irmão de Carolyn foram até a casa de Emmet, o sequestraram e torturaram até a morte. Um descaroçador de algodão de 70 libras foi amarrado ao pescoço da vítima com arame farpado e seu corpo foi jogado no rio Tallahatchie, em seguida. 
U.S Justice Department wrapping up Emmett Till investigation ...

Quando o corpo foi encontrado, estava inchado e completamente desfigurado. Os assassinos tentaram convencer a população de que Emmet Louis havia retornado a sua cidade natal, mas um anel que a criança usava ajudou na identificação.

Os assassinos foram identificados por testemunhas, acusados e, após um julgamento de 67 minutos, considerados inocentes pelo júri (branco). Sabendo que não poderiam ser julgados novamente, aceitaram US$ 4.000 de uma revista para contar a verdade, assumindo o crime.

Mesmo que o corpo estivesse desfigurado e parcialmente decomposto, a mãe de Emmet fez questão que o caixão estivesse aberto no enterro. "Eu quero que o mundo veja o que fizeram com meu bebê", teria dito.

A revolta gerada pelo caso foi responsável pela intensificação da luta pelos direitos civis, que daria fim á segregação. 

Entenda o caso do adolescente negro assassinado na Flórida - BBC ...
Trayvon Martin tinha 17 anos quando estava temporariamente hospedado na vizinhança de Twin Lakes, e o voluntário de vigilância George Zimmerman o alvejou, em 2012, por considerá-lo suspeito. O tiro no peito o matou. 

Segundo a namorada do Martin, eles estavam ao telefone no momento do assassinato e o rapaz falou sobre estar sendo seguido. O assassino disse ter agido em legitima defesa, por se sentir intimidado, mesmo que Trayvon Martin não estivesse armado. O ato foi considerado legitimo, segundo as leis de defesa pessoal da Flórida, e o vigilante não foi indiciado pela morte. 


Em 2019, ele chegou a processar a família da vítima por danos, além de ter leiloado a arma que usou para matar o garoto e ter tido mais atitudes racistas, como chamar Obama de "babuíno ignorante". 

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