19 março 2020

Madame C.J. Walker e Annie Malone: Pioneiras da indústria da beleza afroamericana



Sara BreedLove, posteriormente conhecida como Madame C.J. Walker, foi a primeira da família a nascer em liberdade. Enfrentando todos os problemas que um país pós escravagista poderia oferecer a uma mulher negra, Sara conseguiu driblar o sistema e se tornar uma grande empreendedora do ramo dos cosméticos. A empresária marcou seu nome na história como a primeira a se fazer milionária por conta própria nos Estados Unidos.

Resultado de imagem para madam cj walkerÓrfã aos 7 anos de idade, Sara passou a morar com a irmã e o cunhado,Jesse Powell, trabalhando como empregada doméstica. Aos 14, casou-se a fim de fugir dos abusos de Jesse. Seu marido faleceu pouco tempo depois do nascimento de A'Lelia, primeira filha e futura parceira de negócios de Sara. A empresária nunca teve educação formal, então sempre teve como objetivo trabalhar o bastante possibilitar que a filha estudasse, mas tudo que conseguiu foi um emprego como lavadeira, ganhando pouco mais de um dólar por dia. 

O ponto de virada na vida de C.J. Walker (nome adotado após o casamento com Charles Joseph Walker) foi quando seus cabelos começaram a cair. Se hoje, as pessoas negras são sub-representadas na indústria da beleza, onde produtos adequados para sua pele e cabelos existem em número reduzido, no século 19 a situação era muito pior. Então, C.J. desenvolveu diversas doenças no couro cabeludo devido ao uso de produtos agressivos, como lixivia (água sanitária), e outros cuidados indevidos.



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Anne Malone
Foi quando conheceu Annie Malone, outra afro-americana pioneira da indústria, que, segundo muitos, teria se tornado milionária antes de C.J., que atuou como sua revendedora. Houve um desentendimento e cada uma geriu o próprio império dos cosméticos e C.J. passou a utilizar uma forma baseada na da ex-patroa. É necessário entender que ambas têm a mesma importância histórica, porém Madame C.J. Walker chamou a atenção da mídia por possuir uma história mais dramática e bem vendida, seu casamento com um publicitário já foi apontado como um dos motivos de seu destaque. 

Enquanto C.J. nunca havia recebido educação formal, Annie Malone teve educação básica e nunca experimentou da miséria extrema. A vida de C.J. era uma real história de superação, que valia à pena ser contada. O que importa é que, embora ambas sejam ícones revolucionários, a mídia fez questão de acentuar sua rivalidade, como se não houvesse lugar para as duas, resultando no apagamento de Annie.


As duas foram filantropas e patronas das artes, contribuindo para o desenvolvimento da comunidade afro-americana.

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Amanhã, a história de Madame C.J. Walker será contada pela Netflix, em uma minissérie original, protagonizada por Octavia Spencer. Estou bastante ansioso para ver como a relação das duas será tratada e se Annie Malone também será reconhecida. 

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