07 fevereiro 2019

Por que "Proibido o carnaval", novo clipe de Daniela Mercury e Caetano, incomoda tanto?

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Na última terça-feira (5), Daniela Mercury lançou o clipe da música "Proibido o carnaval". Desta vez, em parceria com Caetano Veloso. A música composta pela cantora é uma reação ao movimento conservador que ganhou força nos últimos anos e traz críticas ao atual momento politico do Brasil.



Os ouvintes mais atentos podem notar a forma como a baiana tratou de temas sociais na música, convidando o folião para a revolução e entoando frases como "a mulherada comandando a batucada", "o corpo é meu, ninguém toca", e "abra a porta desse armário que não tem censura". Entre um verso e outro, Caetano e Daniela também fizeram oposição ao governo vigente, mais explicitamente quando cantaram "vai de rosa ou vai de azul?", clara referência à declaração da ministra Damares Alves. Através da obra, a cantora reafirma sua militância e Caetano Veloso seus ideais anti censura. O trabalho ainda foi dedicado a Jean Wyllys, que desistiu de cumprir seu ultimo mandato por conta de ameaças de morte.

Diferentes de Anitta e outros artistas que colecionam grandes marcas numéricas no Youtube, os dois não são tão fortes no mainstream, mas viram "Proibido o carnaval" ganhar muitas visualizações depois que grupos de extrema direita tomaram conhecimento da música. Daí em diante, o vídeo recebeu uma enxurrada de deslikes e comentários repetitivos com acusação de uso indevido da Lei Rouanet (mesmo que a maioria aparentasse não saber do que se tratava) e outros jargões já repetidos à exaustão durante a ultima campanha presidencial.

 O titulo da música acabou inspirando boa parte dos comentaristas a iniciarem uma campanha pelo fim do carnaval, para que assim o dinheiro público utilizado pudesse ser investido na saúde e educação. Embora supostamente preocupados com a economia do país, esqueceram-se que o evento anual gera bilhões e emprega milhares de cidadãos, se o dinheiro resultante está sendo devidamente investido já não é problema de Daniela ou Caetano, mas do nosso governo.

Imagem relacionadaMuitos dos haters se dizem "envergonhados" pelo que acabaram de assistir e afirmam que a dupla de cantores devia estar ajudando Brumadinho, município de MG onde uma barragem de rejeitos da empresa Vale rompeu e fez várias vitimas, e não promovendo a "festa da carne". Importante lembrar: Os dois baianos nada tiveram com a causa da tragédia da mineração, diferente da empresa que cometeu infrações que culminaram no acontecido e já esteve envolvida num grande desastre anterior, o da cidade de Mariana.

E se toda a energia gasta com ofensas vazias e cobranças a quem não nos pode dar uma solução fosse utilizada para atacar o inimigo certo? Curiosa a forma como tragédias e problemas do país cujas resoluções não cabem aos artistas, mas aos mais poderosos, são usadas como pretexto por quem repete frases feitas e é incapaz de lidar com opiniões opostas. 

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