06 setembro 2015

Resenha: A Hora da Estrela,de Clarice Lispector


 Como já disse anteriormente, ler "Tudo o Que é Sólido Pode Derreter" me fez querer conhecer autores de clássicos da língua portuguesa. E sempre que quero conhecer um autor, prefiro que seja através duma obra curta, assim, caso não goste, não terei perdido tanto tempo da minha vida. Foi assim com a Clarice Lispector, da qual li "A Hora da Estrela", livro que resenharei hoje.

 Curto e denso,o livro conta as desventuras da nordestina Macabéa, uma moça sonhadora e ingenua que acabou de chegar ao Rio de Janeiro, onde trabalha (não muito bem) como datilografa. A jovem de nome estranho perdeu os pais muto cedo e foi criado por uma tia que estava mais para "madrasta má", como uma personagem diz. Macabéa arranja um namorado que não a trata bem, divide um quarto com outras três mulheres, tem uma colega de trabalho que não se mostra das melhores, e ainda está prestes a ser demitida, mas nunca percebeu que era infeliz, até seu encontro com uma cartomante que lhe enche de esperanças.

 Algo que achei muito interessante no livro foi o modo como este foi narrado. A história é contada por Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), um escritor que acaba por virar personagem. Em "A Hora da Estrela", conseguimos acompanhar o processo criativo desse autor fictício que, pelo menos de começo, fala muito mais nele e na tarefa árdua de escrever um livro que na própria protagonista. E foi só. Rodrigo se mostrou em duvida sobre que final daria à Macabéa, mas certamente o que deu não foi dos melhores, pelo menos para mim.

 A nordestina sonhava em ser estrela de cinema, mas "a hora da estrela" acabou sendo bem desagradável. Enfim, dei três estrelas para este livro, mas esta avaliação ainda pode baixar, visto que a única coisa que me agradou foi o modo como conhecemos um pouco do escritor, o que não costuma acontecer na maioria dos livros. Este foi o ultimo livro lançado por Lispector, não tenho vontade ler outras de suas obras tão cedo, mas gostei de sua escrita. Clarice realmente não "embelezava" as palavras e tinha um jeito dela de escrever.

 Algo que me impulsionou a ler o livro foi ver que houve uma adaptação cinematográfica em 1985, e no papel da cartomante estava a grande Fernanda Montenegro. O filme foi premiado e realmente é bem bom, recomendo. Este não se preocupou em ser totalmente fiel ao livro, talvez por isso eu tenha gostado.

 Enfim, espero que tenha curtido o post, que dê uma chance à história da Macabéa e que o livro te agrade mais do que agradou à mim.

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