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História do Assassinato de Mulheres Acusadas de Bruxaria, Ontem e Hoje




 Se você já estudou história no colégio, provável que tenha aprendido sobre a Idade Média. Na época, muitas mulheres eram acusadas de bruxaria, sendo degoladas, açoitadas, e o clássico: queimadas como punição. O que poucos sabem é que esse tipo de prática não está tão distante de nós.

  A primeira assassinada foi Angéle de la Bathe, acusada de ter mantido relações sexuais com o demônio e ter tido um bebê monstro em 1275. O suposto filho tinha cabeça de demônio e corpo de serpente, ela confessou tê-lo alimentado com outros bebês, que a mesma matava para alimentar a cria. Foi queimada viva.

 Em 1428, Matteuccia de Francesco  teve o mesmo destino. A acusação? Ter voado nas asas do demônio e vender uma pomada do amor feita com o sangue de recém nascidos. Mas a prática se tornou ainda mais comum no século quinze, quando a existência das bruxas era um fato para a maioria e o medo se alastrava. Tudo começou quando uma escrava falou sobre vudus e as mulheres que ouviram tiveram pesadelos. Um médico examinou-as e constatou ser bruxaria.


Lá por 1600 houve o que ficou popularmente conhecido como "Caso dos Venenos", na França. O acontecido se deu por conta de uma poção fabricada por mulheres como Catherine Deshayes, e que causava uma morte súbita e misteriosa. Houve mulheres da nobreza envolvidas no caso, mas tudo foi abafado por motivos de privilégios sociais.

Quem pensa que o ódio propagado pelo fanatismo religioso não chegou em solo brasileiro, engana-se. Muitas foram as que morreram por este motivo em solo tupiniquim. Mima Renard era prostituta, foi acusada de enfeitiçar os homens e foi queimada viva em 1692. Ursulina de Jesus foi acusada de tirar a "virilidade" do marido, não permitindo que tivesse filhos. Queimada viva em 1754. Por ultimo, temos Maria da Conceição, morta por fazer poções que supostamente atraiam os homens.


Embora a posição da mulher na Idade Média a tornasse a vitima mais comum à condenação por bruxaria, há alguns casos envolvendo homens na caça às bruxas mundial. Johann Albrecht Adelgrief morreu por dizer ser um profeta divino e Giles Corey era um fazendeiro que foi acusado de pedir a uma mulher que escrevesse um "livro do diabo". Ele era conhecido por amedrontar pessoas da região, sendo esmagado por pedras sem nunca admitir culpa. Pessoas que diziam ver espíritos eram igualmente vistas como bruxas, uma delas foi Helen Duncan. Helen foi presa por dizer ver o espirito de um marinheiro morto durante a Segunda Guerra, condenada a alguns anos de prisão, voltou a ser presa e foi assassinada em 1956.


Se você se surpreendeu por 1956 não ser uma data tão distante assim, se prepare. Maili Tamang e Kanchhi Tamang foram duas vitimas recentes da perseguição a supostas bruxas. Elas foram acusadas de enfeitiçar moradores da vizinhança, sendo levadas a um monastério budista, espancadas, torturadas e obrigadas a ingerir fezes humanas até a morte. O caso mais recente aconteceu em 2013, num vilarejo da Guatemala. A vitima era Magdalena Francisco, linchada por dois mil vizinhos. Policias tentaram inutilmente impedir. Lá, é comum que a população faça justiça com as próprias mãos.

 Muitos foram os acusadores que reconheceram ter exagerado e se arrependido do que tinham feito. Um deles foi Ernesto Baviera, que não fazia gosto no casamento do filho com a pobre Agnes Bernauer. Aproveitou-se da ausência do filho e condenou-a por feitiçaria. O filho acabou casando com a princesa que seu pai desejava ser sogro, mas a consciência pesou. O rei ergueu um monumento para Agnes. Muitas também foram as que "admitiram" ser adeptas à feitiçaria por pressão e medo da morte, acreditando que se admitissem haveria piedade (já que os que não admitiam morriam igualmente).

Comentários

  1. Valeu companheiro! Já que você gosta de História, visite o blog que acabei
    de criar: arraialdoouro.blogspot.com.br. Penso que você gostará. Abraço.
    Max Botelho

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  2. tem um erro historico complicado ai,um dos documentos que fala mais historicamente correto sobre a inquisição um livro chamado:Inquisition de Edward Peters conta que eram mais comuns casos de homens julgados por bruxaria do que mulheres durante o periodo da santa inquisição inclusive alguns dos mesmo condenados por bruxaria foram padres,eu recomendo uma leitura nesses livros antes de certas postagens

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    1. Então, amigx, o Edward tem uma visão bem diferente de todos os autores que já li. Segundo as informações que chegaram até mim até o dia de hoje, o clero era intocável e as minorias sociais eram as grandes vítimas deste período, mas achei seu comentário interessante. Vou buscar pelo livro, grande abraço!

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  3. Olá!
    Sou historiadora, trabalha com o tema e gostaria de saber quais fontes utilizaste. Se sabe onde posso achar o processo crime de Mima e de Ursulina.
    As informações te tenho até então é que não houve queima de mulheres pela Inquisição no Brasil, as visitas do Santo Ofício se dão em 1700 apenas.

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    1. Que honra tê-la aqui! Faz muito tempo desde que escrevi esse texto. Se não me engano, cinco anos. Então, não me recordo ao certo quanto às fontes. Lembro de ter me empolgado com o assunto, lendo numa biblioteca pública e, em seguida, consultando páginas na internet. Mas dei um Google acerca desses dois casos em específico e achei páginas na Wikipédia e no site Aventuras na História.

      Depois dê uma olhada.
      https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/5-mulheres-que-foram-acusadas-e-mortas-por-bruxaria-no-brasil.phtml

      Gostaria muito de saber mais sobre o assunto, se tiver leituras pra me indicar ficarei bastante feliz.

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